“Sou um idealista. Não sei para onde vou, mas já vou a caminho.” – Carl Sandburg
sábado, 6 de fevereiro de 2010
O arrepio
De olhos arregalados ele contemplava aquele semblante, por alguma razão parara para o ouvir, secalhar porque acreditava ainda que todos têm algo a dizer, algo a ensinar. Enquanto ouvia, uma leve sensação começava a correr pelo seu corpo, como uma vibração que deixava a sua pele com um toque áspero. Que calor ardente seria este? Só uma coisa o deixava assim, seria? O homem de rosto vivo, cujas curvas da vida e peso do mundo já começavam a repuxar a sua morna pele, falava directamente para o coração, só depois para a mente. Que inveja, como podiam as palavras ser tão fieis à ideia? Que destreza esta de reflectir o pensar directamente para o falar, quantas vezes tinha ele, por seu lado, sido traído pela palavra, assombrado pela massa enorme do que não conseguia escoar ou traduzir que lhe corria como uma bala pelo pensamento, impossível de apanhar, condenado ao esquecimento sufocado. Era então isso que o fazia sentir assim, aquele momento em que percebia que tinha sentido aquelas palavras desde sempre sem nunca lhes ter conseguido dar forma. Não, o que ouvia era novo. Certamente! Mas apenas para os seus ouvidos, não para a sua alma.
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