quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Espectro

Pergunta o Verde ao o Amarelo,
-Ei, Amarelo! Porque é que és assim? assim amarelo?
-Oh! - retorquiu o Amarelo - o que achas? Porque quase todos os que vejo são amarelos também! E tu Verde? Porque és assim? Assim Verde?
-É estranho - riposta o Verde - exactamente pela mesma razão.

domingo, 8 de novembro de 2009

Conversas sérias

As assimetrias de informação são realmente de uma dimensão extraordinária. Assiste-se nos média nacionais maioritariamente a tentativas de formação de opinião disfarçadas de comentários unilaterais, muito mais do que análises sinceras e legítimas sem quaisquer pretensões pessoais ou colectivas. A influência destes comentadores/analistas é inequívoca e portanto com o grande poder que carregam deviam também carregar uma verdadeira responsabilidade. Não só nos ombros deles mas também nos dos que os põe a analisar/comentar. Na minha opinião, para se ter uma análise séria pode-se optar por dois tipos de abordagem: ou se convidam indivíduos que abertamente assumem lados e portanto convidam-se todos os lados, para haver uma discussão à sombra da democracia em que todos gostamos de acreditar que vivemos, ou convidam-se profissionais, pensadores ou especialistas, devidamente credenciados, que façam análises à luz da sua pessoa e não de uma qualquer bandeira ou estandarte. Torna-se um exercício de paciência assistir às animadas conversas que alguns destes senhores vão ensaiar para todos nós, atento público, que padecem de um total alheamento da realidade dos factos e dos problemas palpáveis, que o comum do cidadão sente diáriamente, ou então vão disparar banalidades e difundir opiniões que qualquer verdadeiro analista classificaria de anacrónicas e totalmente ignorantes, mas como a forma conquista muito mais que o conteúdo, e como é mais fácil saciar do que saborear, o modelo teima em persistir.
Felizmente espaços com interesse e responsabilidade jornalística vão também existindo, a exemplo disso assisti hoje a um novo espaço na Sic Notícias, moderado pelo Mário Crespo, com a participação de Medina Carreira, Nuno Crato e João Duque de nome Plano Inclinado. Devo dizer que é um alívio ouvir intervenientes esclarecidos falarem da realidade com seriedade. E não de um país imaginário que visivelmente parece existir na cabeça de alguns. Segundo estes senhores o cenário está cinzento para Portugal, de uma maneira muito simples conseguiram em aproximadamente uma hora fazer um diagnóstico que muitos, repetidas vezes teimaram em não tecer. Embora não conheça aprofundadamente estes senhores, a sabedoria e acutilância das suas palavras chegaram para me caírem no goto. Para resolver um problema é preciso assumi-lo e entendê-lo e só assim se encontraram soluções definitivas a longo prazo e não paliativas que só prolongam o problema e adiam o inevitável. Inevitável este que cresce proporcionalmente ao tempo que é ignorado, porque pela análise feita o caminho é a banca rota e a inviabilidade financeira. Caminha-se para uma situação em que vai ser impossível obter financiamentos pelo território nacional devido à tal dimensão do endividamento público, o que causará perante os mercados internacionais uma tal descredibilidade da capacidade de pagar a dívida contraída que será impossível obter crédito para o que quer que seja. Criando assim um buraco de investimento que no imediato causará congelamento de todos os projectos implementados, e no longo prazo inexistência de novos projectos bem como uma crise social sem precedentes. Porque já que não há projectos, não há trabalho, logo não há impostos e há mais encargos sociais, e quando este ciclo se iniciar no final a questão para as famílias não será se conseguem ou não pagar a casa mas se conseguem ou não ter comida à mesa. Urge o tempo de se abrir os olhos e se tomarem as medidas adequadas, o investimento público não será solução se este não representar um retorno superior à despesa, apenas prolongará durante mais uns tempos a ilusão de um emprego, e apenas agravará mais a situação da dívida, pois o país não tem capacidade de se financiar sem recorrer a crédito externo para este grandes investimentos, e se eles representarem prejuízo será apenas cavar mais num buraco que já vai bem fundo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Escalas

Se é certo que há uma fonte então qual a fonte que nos consegue mover? o que é que é preciso para iniciar o movimento? quanto vale a inércia? Movemos-nos por projectos, ambições, objectivos ou sonhos mas quando é que o projecto, o sonho ou o objectivo atingem a dimensão suficiente para se iniciar a acção? No fundo é um traço muito discriminatório das personalidades, o ponto da ruptura. Um ponto único para cada um, próprio, mas algumas vezes partilhado quando se dá aquele momento, aquela epifania que andava por dentro a dar sinais mas no entanto ainda não tinha chegado o seu tempo. E que epifania é suficiente? Não teremos todos pequenas copreensões surpeendentes que parecem, durante uns momentos, que podem redefinir toda a nossa vida, mas, que pela anestesia da rotina ou pela impeadosa prostarção já latente são rapidamente esquecidas ? "É agora!", pensa-se - e vem o chavão - "o primeiro dia do resto da tua vida", que força! que coragem! Mas não, ainda não será desta..

Valete não degenera não

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Memória

Discorrem-se páginas com novas ideias e escrituras, mas o quanto não bastava se pelo menos não esquecesse-mos as que já temos e tivemos. Que bom um comprimido para a memória que prendesse tudo à mente o quanto observamos e vivemos, para o podermos tocar, ver e lembrar quando e sempre nos parece-se bem. E que nunca a memória nos traísse pelos seu cantos escuros e escurecidos por outras memórias, que, por serem mais brilhantes ou apenas recentes conseguem empurrar e escurecer as outras que já há tanto e tantas vezes mereceram o seu lugar. Que força esta! Porque enquanto o rio tropeça pela montanha também a memória tropeça e desliza colina abaixo misturando-se com outras águas de outros reinos. E, quando finalmente encontram todas o mar anónimo, já poucos se lembram que águas salgadas já foram doces e que estas memórias escuras já foram límpidas. Surge então alguém que afirma - esta água sempre cá esteve e sempre foi assim - mas felizmente ainda há uns poucos que se lembram que estas memórias salgadas já foram doces e que este mar veio de muitos rios.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Mais uma vitoria da abestenção

Pois bem, cá estamos nós nos rescaldo de mais uma fantástica manifestação de democracia. O sufrágio deu-se mais uma vez em Portugal e foi renovada a maioria absoluta, novamente, da abstenção.
Parece que "nós por cá" temos uma óptima maneira de nos fazermos representar, ou melhor, de não nos fazermos representar! Parece ainda absurdo que depois de mais de 30 anos de "democracia" ainda ninguém tenha dito a quase 40% dos portugueses que sim, já se pode ir votar, já existem eleições pessoal.
Mas nem tudo é mau, ao invez de alguns que ainda não sabem que já se pode votar, existem outros, os que pensam que o boletim de voto tem 3 quadradinhos. Um bem haja a todos eles que por mais escandalos, incompetências, burlas e falhas governativas sucessivas ainda ingerem o alivio do veneno da amnésia a 30 anos e fecham os olhos ao estado de um país que tem sido guiado a alta velocidade (e ainda nem há TGV) para a cauda da europa, continuem, havemos de la chegar! :)


Man is by nature a political animal. -Aristotel

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

domingo, 6 de setembro de 2009

Que agressivo

Vejam o que aconteceu na semana passada no jogo do Anderlecht




Tu bates mal men!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Investimento público

Por favor leiam, este Migue Sousa Tavares consegue ser fantástico.

Esta noite sonhei com Mário Lino
Miguel Sousa Tavares
8:00 Segunda-feira, 29 de Jun de 2009

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:

- É sempre assim, esta auto-estrada?

- Assim, como?

- Deserta, magnífica, sem trânsito?

- É, é sempre assim.

- Todos os dias?

- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?

- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

- E têm mais auto-estradas destas?

- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.

- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?

- Porque assim não pagam portagem.

- E porque são quase todos espanhóis?

- Vêm trazer-nos comida.

- Mas vocês não têm agricultura?

- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

- Mas para os espanhóis é?

- Pelos vistos...

Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

- Mas porque não investem antes no comboio?

- Investimos, mas não resultou.

- Não resultou, como?

- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

- Mas porquê?

- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

- E gastaram nisso uma fortuna?

- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...

- Estás a brincar comigo!

- Não, estou a falar a sério!

- E o que fizeram a esses incompetentes?

- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?

- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.

Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.

- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

- Isso mesmo.

- E como entra em Lisboa?

- Por uma nova ponte que vão fazer.

- Uma ponte ferroviária?

- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.

- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!

- Pois é.

- E, então?

- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.

Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.

- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...

- Não, não vai ter.

- Não vai? Então, vai ser uma ruína!

- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?

- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

- E vocês não despedem o Governo?

- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...

- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?

- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?

- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?

- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.

Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?

- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.

- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?

- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

- Não me pareceu nada...

- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

- E tu acreditas nisso?

- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

- Um lago enorme! Extraordinário!

- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

- Ena! Deve produzir energia para meio país!

- Praticamente zero.

- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!

- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?

- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?

- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.

Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.

Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

http://aeiou.expresso.pt/miguel-sousa-tavares=s23491

domingo, 28 de junho de 2009

Humor em tempos de crise

Enchia as paredes de um quarto só com isto, gosto.



A XI edição do Porto Cartoon World Festival contou com a participação de 500 humoristas de 70 países e teve como temática central "as crises".

domingo, 24 de maio de 2009

M&M

Este bastonário não papa mesmo grupos, é um alivio alguém confrontar finalmente esta aberração que é a Manéla.
Mais uma vez acho que o bastonário marca pela positiva, apesar de estar desde o inicio numa numa dura missão a remar contra a corrente.
Dá-lhe Marinho! :)



terça-feira, 19 de maio de 2009

Must

Oço alguma coisa que me arrasta para a nostalgia, nostalgia de tempos com menos responsabilidades e menos consciência em que as coisas não tinham principio nem fim, apenas corriam. Digo para mim "gostava de voltar a trás" e depois não sei se quero, as coisas devem ser vividas sem se saber o que se está a viver, é no fundo essa a essência que nos faz feliz, a inconsciência do acto e o luxo da recordação. Se eu soubesse o que sei hoje..se soubesse o que sei hoje na altura nada tinha causado a sensação que causou, é esse então o prazer, o despertar, o descobrir sem consciência de que se está perante uma descoberta, algo inexplicável que torna os momentos mágicos em historias e historias em memórias, até ao dia em que o fantástico do que aconteceu nos leva a questionar se realmente o vivemos ou se o sonhamos numa noite mal dormida em que no limbo da consciência confundimos o real com o sonho..

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Queres saber porquê?

Nestes últimos dias muito se tem falado sobre os acontecimentos no Bairro da Bela Vista, muitos incrédulos, muitos revoltados e outros simplesmente surpreendidos. Podia-me estender em explicação para tentar chegar a todo e cada um de vocês mas alguém já o fez melhor que eu.




"depois é ver a nossa oligarquia, erguer vozes contra esses chavais
que a sociedade marginaliza, e não quer que sejam marginais." - Valete
Fica a dica..

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Furious Angels

O já aclamado autor da música "Clubbed to Death", Rob Dougan, que figurou na banda sonora da trilogia Matrix, chegou a fazer outras músicas com muito boa qualidade. Aqui vai uma delas.

sábado, 28 de março de 2009

Bling Bling

Só visto! lol


domingo, 1 de março de 2009

Bela maneira de começar o dia

Aconteceu na estação de Liverpool, em Londres. Foi segunda-feira de manhã e, depois, todos foram trabalhar numa energia maravilhosa. São 70 bailarinos misturados com passageiros que acabam por interagir nas danças. O espetáculo foi planeado e ensaiado 8 semanas, sem o conhecimento do publico, até que subitamente...



"Temos a arte para que a verdade não nos destrua" - Nietzsche

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

The Onion News

Apresento-vos a Onion News Network, um canal de informação fictício, com transmissão exclusiva no YouTube. Vale muito a pena, e até custa a acreditar que não é real.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Represent, represent, Porto!

Para além do grande som, o clip está óptimo..
Props para o Berna!


Berna - A.M.I.Z.A.D.E (Video Oficial) from iNDIVIDEO on Vimeo.

Agarrados ao calão de guna

Tornou-se difícil actualmente definir o que é uma cultura própria, uma das faces da globalização foi projectar-nos variadas culturas tornando parte do nosso quotidiano o fenómeno da aculturação.
Todos os dias nas mais variadas formas, rituais, linguagens, gastronomia, moda, e por ai fora, entramos em contacto com fenómenos culturais que vêm do exterior, tornando-nos mais enriquecidos e completos mas correndo o risco de nos tornar também mais "parecidos". Mas a projecção das diversas culturas não é equalitaria, não o sendo também portanto o processo de aculturação. Se há um vencedor na projecção da sua cultura e do seu way of life são sem dúvida os E.U.A., na sua mais forte frente Hollywood claro, cada vez que lança um filme transmite-nos modelos de vida de pessoa e de estatuto que por ser repetirem, tanto como cada filme que vemos, nos criam conceitos, subliminares ou não, acerca de absolutamente tudo. Exemplo disso é a recente introdução, principalmente nos hábitos dos portugueses mais jovens, da comemoração do halloween. Outros exemplos positivos e negativos não faltam, eu não passaria sem o delicioso croissant! A aculturação pode ser positiva desde que seja equilibrada, racional e que não ponha em causa a nossa identidade e genuinidade. Quando começarmos a celebrar o dia de acção de graças ou o 4 de Julho essa barreira foi ultrapassada.
Mas isto tudo vem a propósito de um fenómeno muito mais local e hermético, penso eu que seja, que é a aculturação do estilo guna. Gunas, mitras, grunhos, manitos, (sem qualquer intenção de ser depreciativo) ou outra coisa qualquer que o comum jovem que os observa de fora gosta de lhes chamar, têm uma cultura bastante marcada, que por ser tão afirmativa parece agradar muito aos que estão no extremo oposto, ou a meio extremo vá lá. É interessante observar que uma grande fatia dos adolescente que nunca viveram no meio dos gunas, nunca foram um ou cresceram no meio deles, os imitam com toda a veemência. Manifestações disso são o crescente uso de brincos, as coreografias para se cumprimentarem ao invés do simples aperto de mão, e principalmente o vocabulário. Parece que nos dias de hoje se tornou "fixe" o comportamento de guna. Realmente esta personalidade demarcadissima, o poder de intimidação, o respeito alimentado pelo medo e a ideia geral de gangster ou bandido parece cativar muito um grande número de pessoas. É hoje comum ouvir nos meios menos previsíveis pessoas tratarem-se por "mano" ou a cumprimentarem-se com diversos toques, e quem já não ouviu o famoso "atão!?"? Nada a apontar a isto, cada um interpreta estes comportamentos à luz da sua pessoa, e não acho que sejam um problema. O problema começa quando absorvem o lado mau desta cultura e caem no ridículo, ou quando numa vontade de se projectarem tentam mostrar que são maus. Falta de personalidade, genuinidade e por ai fora. Não faltam hoje miúdos que estão prontos para andar à porrada e chamar mais vinte para organizarem uma batalha campal, cada um alegadamente mais maluco que o próximo. O ridículo que isto representa para mim só pode ser comparável ao nível de vazio que esta gente possui, nascidos e criados em meios privilegiados, sem nunca terem tido um pai que chegava a casa da tasca e os desfazia de cinto, ou uma mãe que ganhava a vida na rua, um irmão preso ou um primo morto ao tiro no bairro, que nunca souberam o que é passar privações, fazer sacrifícios ou não ter que comer, que desculpa têm estes para tais comportamentos? Estes comportamentos não são aceitáveis, independentemente de quem os perpetue, mas existem atenuantes a ter em conta dependendo dos casos. Agora querem ser dealers, andar de bastões e de facas, dizer que fazem e acontecem, fazer com que todos saibam que fumam ganza, gritar bem alto faz esse, soletrar até, para se alguém não tiver apanhado..
O gosto de se sentirem, parecerem e agirem como os marginalizados só se percebe por nunca o terem sido. O culto desta imagem exterior só se percebe pela inexistência de uma interior, como um boneco que procura a melhor máscara, derivam na procura da sua identidade, vasculham, copiam e competem não percebendo que no final a corrida é apenas, e só, com eles mesmos.


"Sejas feio ou bonito, branco ou preto, normal ou esquisito, rico ou do gueto, tens de pensar por ti próprio e deixar de ligar a vários ódios que não fazem nexo neste lugar" - Berna - Ódio Inconsciente (Reflexologia)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Foda-se, não fui eu mas podia ter sido


O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à

quantidade de "foda-se!" que ela diz.

Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?

O "foda-se!" aumenta a minha auto-estima, torna-me uma

pessoa melhor.

Reorganiza as coisas. Liberta-me.

"Não quer sair comigo?! - então, foda-se!"

"Vai querer mesmo decidir essa merda sozinho(a)?! - então,

foda-se!"

O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição.

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos

extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário

de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos

mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua

língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que

vingará plenamente um dia.

"Comó caralho", por exemplo. Que expressão traduz melhor a

ideia de muita quantidade que "comó caralho"?

"Comó caralho" tende para o infinito, é quase uma expressão

matemática.

A Via Láctea tem estrelas comó caralho!

O Sol está quente comó caralho!

O universo é antigo comó caralho!

Eu gosto do meu clube comó caralho!

O gajo é parvo comó caralho!

Entendes?

No género do "comó caralho", mas, no caso, expressando a

mais absoluta negação, está o famoso "nem que te fodas!".

Nem o "Não, não e não!" e tão pouco o nada eficaz e já sem

nenhuma credibilidade "Não, nem pensar!" o substituem.

O "nem que te fodas!" é irretorquível e liquida o assunto.

Liberta-te, com a consciência tranquila, para outras actividades

de maior interesse na tua vida.

Aquele filho pintelho de 17 anos atormenta-te pedindo o carro

para ir surfar na praia? Não percas tempo nem paciência.

Solta logo um definitivo:

"Huguinho, presta atenção, filho querido, nem que te fodas!".

O impertinente aprende logo a lição e vai para o Centro

Comercial encontrar-se com os amigos, sem qualquer problema,

e tu fechas os olhos e voltas a curtir o CD (...)

Há outros palavrões igualmente clássicos.

Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou o seu

correlativo "Pu-ta-que-o-pa-riu!", falado assim, cadenciadamente,

sílaba por sílaba.

Diante de uma notícia irritante, qualquer "puta-que-o-pariu!", dito

assim, põe-te outra vez nos eixos.

Os teus neurónios têm o devido tempo e clima para se

reorganizarem e encontrarem a atitude que te permitirá dar um

merecido troco ou livrares-te de maiores dores de cabeça.

E o que dizer do nosso famoso "vai levar no cu!"? E a sua

maravilhosa e reforçadora derivação "vai levar no olho do cu!"?

Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus

quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de

seu interlocutor e solta:

"Chega! Vai levar no olho do cu!"?

Pronto, tu retomaste as rédeas da tua vida, a tua auto-estima.

Desabotoas a camisa e sais à rua, vento batendo na face, olhar

firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado

amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registar aqui a expressão de

maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu-se!". E a

sua derivação, mais avassaladora ainda: "Já se fodeu!".

Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para

uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de

ameaçadora complicação?

Expressão, inclusivé, que uma vez proferida insere o seu autor

num providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo

assim como quando estás a sem documentos do carro, sem

carta de condução e ouves uma sirene de polícia atrás de ti a

mandar-te parar. O que dizes? "Já me fodi!"

Ou quando te apercebes que és de um país em que quase nada

funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a

saúde, a educação e … a justiça são de baixa qualidade, os

empresários são de pouca qualidade e procuram o lucro fácil e

em pouco tempo, as reformas têm que baixar, o tempo para a

desejada reforma tem que aumentar … tu pensas “Já me fodi!”

Então:

Liberdade,

Igualdade,

Fraternidade

e

foda-se!!!

Mas não desespere:

Este país … ainda vai ser “um país do caralho!”

Atente no que lhe digo!

Foda-se, por Millôr Fernandes

(adaptado)