terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

The Onion News

Apresento-vos a Onion News Network, um canal de informação fictício, com transmissão exclusiva no YouTube. Vale muito a pena, e até custa a acreditar que não é real.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Represent, represent, Porto!

Para além do grande som, o clip está óptimo..
Props para o Berna!


Berna - A.M.I.Z.A.D.E (Video Oficial) from iNDIVIDEO on Vimeo.

Agarrados ao calão de guna

Tornou-se difícil actualmente definir o que é uma cultura própria, uma das faces da globalização foi projectar-nos variadas culturas tornando parte do nosso quotidiano o fenómeno da aculturação.
Todos os dias nas mais variadas formas, rituais, linguagens, gastronomia, moda, e por ai fora, entramos em contacto com fenómenos culturais que vêm do exterior, tornando-nos mais enriquecidos e completos mas correndo o risco de nos tornar também mais "parecidos". Mas a projecção das diversas culturas não é equalitaria, não o sendo também portanto o processo de aculturação. Se há um vencedor na projecção da sua cultura e do seu way of life são sem dúvida os E.U.A., na sua mais forte frente Hollywood claro, cada vez que lança um filme transmite-nos modelos de vida de pessoa e de estatuto que por ser repetirem, tanto como cada filme que vemos, nos criam conceitos, subliminares ou não, acerca de absolutamente tudo. Exemplo disso é a recente introdução, principalmente nos hábitos dos portugueses mais jovens, da comemoração do halloween. Outros exemplos positivos e negativos não faltam, eu não passaria sem o delicioso croissant! A aculturação pode ser positiva desde que seja equilibrada, racional e que não ponha em causa a nossa identidade e genuinidade. Quando começarmos a celebrar o dia de acção de graças ou o 4 de Julho essa barreira foi ultrapassada.
Mas isto tudo vem a propósito de um fenómeno muito mais local e hermético, penso eu que seja, que é a aculturação do estilo guna. Gunas, mitras, grunhos, manitos, (sem qualquer intenção de ser depreciativo) ou outra coisa qualquer que o comum jovem que os observa de fora gosta de lhes chamar, têm uma cultura bastante marcada, que por ser tão afirmativa parece agradar muito aos que estão no extremo oposto, ou a meio extremo vá lá. É interessante observar que uma grande fatia dos adolescente que nunca viveram no meio dos gunas, nunca foram um ou cresceram no meio deles, os imitam com toda a veemência. Manifestações disso são o crescente uso de brincos, as coreografias para se cumprimentarem ao invés do simples aperto de mão, e principalmente o vocabulário. Parece que nos dias de hoje se tornou "fixe" o comportamento de guna. Realmente esta personalidade demarcadissima, o poder de intimidação, o respeito alimentado pelo medo e a ideia geral de gangster ou bandido parece cativar muito um grande número de pessoas. É hoje comum ouvir nos meios menos previsíveis pessoas tratarem-se por "mano" ou a cumprimentarem-se com diversos toques, e quem já não ouviu o famoso "atão!?"? Nada a apontar a isto, cada um interpreta estes comportamentos à luz da sua pessoa, e não acho que sejam um problema. O problema começa quando absorvem o lado mau desta cultura e caem no ridículo, ou quando numa vontade de se projectarem tentam mostrar que são maus. Falta de personalidade, genuinidade e por ai fora. Não faltam hoje miúdos que estão prontos para andar à porrada e chamar mais vinte para organizarem uma batalha campal, cada um alegadamente mais maluco que o próximo. O ridículo que isto representa para mim só pode ser comparável ao nível de vazio que esta gente possui, nascidos e criados em meios privilegiados, sem nunca terem tido um pai que chegava a casa da tasca e os desfazia de cinto, ou uma mãe que ganhava a vida na rua, um irmão preso ou um primo morto ao tiro no bairro, que nunca souberam o que é passar privações, fazer sacrifícios ou não ter que comer, que desculpa têm estes para tais comportamentos? Estes comportamentos não são aceitáveis, independentemente de quem os perpetue, mas existem atenuantes a ter em conta dependendo dos casos. Agora querem ser dealers, andar de bastões e de facas, dizer que fazem e acontecem, fazer com que todos saibam que fumam ganza, gritar bem alto faz esse, soletrar até, para se alguém não tiver apanhado..
O gosto de se sentirem, parecerem e agirem como os marginalizados só se percebe por nunca o terem sido. O culto desta imagem exterior só se percebe pela inexistência de uma interior, como um boneco que procura a melhor máscara, derivam na procura da sua identidade, vasculham, copiam e competem não percebendo que no final a corrida é apenas, e só, com eles mesmos.


"Sejas feio ou bonito, branco ou preto, normal ou esquisito, rico ou do gueto, tens de pensar por ti próprio e deixar de ligar a vários ódios que não fazem nexo neste lugar" - Berna - Ódio Inconsciente (Reflexologia)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Foda-se, não fui eu mas podia ter sido


O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à

quantidade de "foda-se!" que ela diz.

Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"?

O "foda-se!" aumenta a minha auto-estima, torna-me uma

pessoa melhor.

Reorganiza as coisas. Liberta-me.

"Não quer sair comigo?! - então, foda-se!"

"Vai querer mesmo decidir essa merda sozinho(a)?! - então,

foda-se!"

O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição.

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos

extremamente válidos e criativos para dotar o nosso vocabulário

de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos

mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo a fazer a sua

língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que

vingará plenamente um dia.

"Comó caralho", por exemplo. Que expressão traduz melhor a

ideia de muita quantidade que "comó caralho"?

"Comó caralho" tende para o infinito, é quase uma expressão

matemática.

A Via Láctea tem estrelas comó caralho!

O Sol está quente comó caralho!

O universo é antigo comó caralho!

Eu gosto do meu clube comó caralho!

O gajo é parvo comó caralho!

Entendes?

No género do "comó caralho", mas, no caso, expressando a

mais absoluta negação, está o famoso "nem que te fodas!".

Nem o "Não, não e não!" e tão pouco o nada eficaz e já sem

nenhuma credibilidade "Não, nem pensar!" o substituem.

O "nem que te fodas!" é irretorquível e liquida o assunto.

Liberta-te, com a consciência tranquila, para outras actividades

de maior interesse na tua vida.

Aquele filho pintelho de 17 anos atormenta-te pedindo o carro

para ir surfar na praia? Não percas tempo nem paciência.

Solta logo um definitivo:

"Huguinho, presta atenção, filho querido, nem que te fodas!".

O impertinente aprende logo a lição e vai para o Centro

Comercial encontrar-se com os amigos, sem qualquer problema,

e tu fechas os olhos e voltas a curtir o CD (...)

Há outros palavrões igualmente clássicos.

Pense na sonoridade de um "Puta que pariu!", ou o seu

correlativo "Pu-ta-que-o-pa-riu!", falado assim, cadenciadamente,

sílaba por sílaba.

Diante de uma notícia irritante, qualquer "puta-que-o-pariu!", dito

assim, põe-te outra vez nos eixos.

Os teus neurónios têm o devido tempo e clima para se

reorganizarem e encontrarem a atitude que te permitirá dar um

merecido troco ou livrares-te de maiores dores de cabeça.

E o que dizer do nosso famoso "vai levar no cu!"? E a sua

maravilhosa e reforçadora derivação "vai levar no olho do cu!"?

Já imaginaste o bem que alguém faz a si próprio e aos seus

quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de

seu interlocutor e solta:

"Chega! Vai levar no olho do cu!"?

Pronto, tu retomaste as rédeas da tua vida, a tua auto-estima.

Desabotoas a camisa e sais à rua, vento batendo na face, olhar

firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado

amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registar aqui a expressão de

maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu-se!". E a

sua derivação, mais avassaladora ainda: "Já se fodeu!".

Conheces definição mais exacta, pungente e arrasadora para

uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de

ameaçadora complicação?

Expressão, inclusivé, que uma vez proferida insere o seu autor

num providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo

assim como quando estás a sem documentos do carro, sem

carta de condução e ouves uma sirene de polícia atrás de ti a

mandar-te parar. O que dizes? "Já me fodi!"

Ou quando te apercebes que és de um país em que quase nada

funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a

saúde, a educação e … a justiça são de baixa qualidade, os

empresários são de pouca qualidade e procuram o lucro fácil e

em pouco tempo, as reformas têm que baixar, o tempo para a

desejada reforma tem que aumentar … tu pensas “Já me fodi!”

Então:

Liberdade,

Igualdade,

Fraternidade

e

foda-se!!!

Mas não desespere:

Este país … ainda vai ser “um país do caralho!”

Atente no que lhe digo!

Foda-se, por Millôr Fernandes

(adaptado)