quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
A bolha
A existência de uma bolha de sabão. Moldada com o sopro do criador vive a sua curta existência a ver as outras bolhas pairar, umas vão directamente para o chão, nunca iriam conseguir melhor, condenadas à nascença por um sopro mais fraco..outras sobem e sobem e ficam mais uns instantes a balançar roçando o ar ao de leve, desviando-se de obstáculos por vezes impulsionadas por um novo sopro que as eleva uma vez mais. Enquanto sobem vêm outras descer, não as pode ajudar, os seus caminhos não se estavam destinados a cruzar e quando menos estavam à espera, puff! Alguém disse que tudo se transforma e também elas se transformaram..
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Venda de canivetes em estabelecimentos prisionais
Não, não é uma ideia minha, não estou a tentar ter piada.
Imaginem o meu espanto quando no meu percurso diário pelos títulos da actualidade me deparei com a noticia cujo título é nada mais nada menos do que :
"Ministro Alberto Costa garante que venda de canivetes nas cadeias está a ser tratada «com conhecimento e inteligência» ", ao que se acrescenta, "Na edição do passado domingo, o jornal Diário de Notícias revelou que estão a ser vendidos na cantina do Estabelecimento Prisional de Coimbra pequenos canivetes, com quatro centímetros de lâmina e dez de comprimento, incluindo o cabo, para que os reclusos possam, por exemplo, cortar alimentos."
Bom, eu não sei por onde começar porque neste momento uma torrente de ideias fervilham-me na cabeça, vender canivetes em prisões?? Mas será que se perdeu todo o bom senso?
Vamos lá analisar isto por partes, primeiro o vender. Segundo a noticia esta venda teria a intenção de permitir aos reclusos cortar os alimentos, então como é que eles comiam antes? de colher? e será que também a teriam que comprar?
O surreal disto ultrapassa até o que já estamos sucessivamente habituados a observar por estes lados, não concordo que os prisioneiros tenham uma vida de luxos, apesar de o sistema de "reinserção prisional" ser bastante discutível, a verdade é que eles estão a ser castigados portanto não devem padecer de grandes mordomias, mas darem-lhes talheres para se alimentarem não pode ser considerado um luxo. Porem os prisioneiros a pagar pelos seus talheres parece-me desnecessário e até absurdo, e se o argumento é auto-financiar o sistema prisional podem optar mais facilmente por converterem o tempo que os reclusos passam encarcerados, que a meu ver não contribui propriamente para a sanidade mental de ninguém, por trabalho comunitário remunerado simbolicamente, que sei que existe noutros países e que possivelmente já existirá em alguns estabelecimentos prisionais em Portugal.
Passemos então ao mais gritante. Introduzir canivetes num ambiente prisional, para as mãos dos reclusos. Bom neste ponto penso que o presado leitor dispensará muitos argumentos, mas cá vai. Não que eu considere que qualquer pessoa presa seja naturalmente agressiva, mas existe sem duvida um ambiente de tensão dentro de uma prisão, todos sabemos que existem abusos e casos de violência, sabemos até que uma escova de dentes e uma lâmina de barbear dentro da prisão podem-se tornar numa arma letal, pôr canivetes nas mãos dos reclusos é não só perigoso para os guardas que os têm que controlar como para eles mesmos, com uma arma tão facilmente na mão isto é quase um incentivo ao crime.
A razão pela qual decidi escrever sobre este assunto prende-se com o paradigmático que este caso é acerca do modus operandi dos responsáveis estatais e pela sua profunda incompetência e total ignorância sobre as áreas pelas quais são responsáveis. A única maneira que eu imagino isto poder acontecer é a distribuição de estes cargos ser feita do género das distribuições dos jogos de futebol para o campeonato ou algo semelhante, quase os imagino reunidos, radiantes, um a um a retirar o papelinho da tombola, e a gritarem "Oh Zé já viste, saiu-me as prisões!", só assim é possível justificar os erros crassos que são cometidos todos os dias pelos órgãos de gestão e decisão que sucessivamente nos imputam prejuízos tanto financeiros como sociais. Cada macaco no seu galho, eu já nem me importo que os escolham pelo factor cunha mas ao menos que saibam o que estão a fazer e que se preocupem minimamente em ser competentes. Vá lá, pode ser?
“Devemos admirar os que levam as coisas a sério e desprezar os que se levam a si próprios a sério.”
Miguel Torga
* http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1122800 (Notícia completa)
Imaginem o meu espanto quando no meu percurso diário pelos títulos da actualidade me deparei com a noticia cujo título é nada mais nada menos do que :
"Ministro Alberto Costa garante que venda de canivetes nas cadeias está a ser tratada «com conhecimento e inteligência» ", ao que se acrescenta, "Na edição do passado domingo, o jornal Diário de Notícias revelou que estão a ser vendidos na cantina do Estabelecimento Prisional de Coimbra pequenos canivetes, com quatro centímetros de lâmina e dez de comprimento, incluindo o cabo, para que os reclusos possam, por exemplo, cortar alimentos."
Bom, eu não sei por onde começar porque neste momento uma torrente de ideias fervilham-me na cabeça, vender canivetes em prisões?? Mas será que se perdeu todo o bom senso?
Vamos lá analisar isto por partes, primeiro o vender. Segundo a noticia esta venda teria a intenção de permitir aos reclusos cortar os alimentos, então como é que eles comiam antes? de colher? e será que também a teriam que comprar?
O surreal disto ultrapassa até o que já estamos sucessivamente habituados a observar por estes lados, não concordo que os prisioneiros tenham uma vida de luxos, apesar de o sistema de "reinserção prisional" ser bastante discutível, a verdade é que eles estão a ser castigados portanto não devem padecer de grandes mordomias, mas darem-lhes talheres para se alimentarem não pode ser considerado um luxo. Porem os prisioneiros a pagar pelos seus talheres parece-me desnecessário e até absurdo, e se o argumento é auto-financiar o sistema prisional podem optar mais facilmente por converterem o tempo que os reclusos passam encarcerados, que a meu ver não contribui propriamente para a sanidade mental de ninguém, por trabalho comunitário remunerado simbolicamente, que sei que existe noutros países e que possivelmente já existirá em alguns estabelecimentos prisionais em Portugal.
Passemos então ao mais gritante. Introduzir canivetes num ambiente prisional, para as mãos dos reclusos. Bom neste ponto penso que o presado leitor dispensará muitos argumentos, mas cá vai. Não que eu considere que qualquer pessoa presa seja naturalmente agressiva, mas existe sem duvida um ambiente de tensão dentro de uma prisão, todos sabemos que existem abusos e casos de violência, sabemos até que uma escova de dentes e uma lâmina de barbear dentro da prisão podem-se tornar numa arma letal, pôr canivetes nas mãos dos reclusos é não só perigoso para os guardas que os têm que controlar como para eles mesmos, com uma arma tão facilmente na mão isto é quase um incentivo ao crime.
A razão pela qual decidi escrever sobre este assunto prende-se com o paradigmático que este caso é acerca do modus operandi dos responsáveis estatais e pela sua profunda incompetência e total ignorância sobre as áreas pelas quais são responsáveis. A única maneira que eu imagino isto poder acontecer é a distribuição de estes cargos ser feita do género das distribuições dos jogos de futebol para o campeonato ou algo semelhante, quase os imagino reunidos, radiantes, um a um a retirar o papelinho da tombola, e a gritarem "Oh Zé já viste, saiu-me as prisões!", só assim é possível justificar os erros crassos que são cometidos todos os dias pelos órgãos de gestão e decisão que sucessivamente nos imputam prejuízos tanto financeiros como sociais. Cada macaco no seu galho, eu já nem me importo que os escolham pelo factor cunha mas ao menos que saibam o que estão a fazer e que se preocupem minimamente em ser competentes. Vá lá, pode ser?
“Devemos admirar os que levam as coisas a sério e desprezar os que se levam a si próprios a sério.”
Miguel Torga
* http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1122800 (Notícia completa)
faz lembrar:
borboleta,
ponta e mola,
sei lá,
xinadela
domingo, 25 de janeiro de 2009
Notorious
Em honra ao filme que está prestes a sair nas salas de cinema portuguesas, aqui vai um vídeo do incrível Christopher Wallace, mais conhecido como Notorious B.I.G..
Neste vídeo ele surge com apenas 17 anos...
Neste vídeo ele surge com apenas 17 anos...
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
As 10 Dimensões
Meus amigos...
Este vídeo deixou-me sem palavras. Se estiverem com disposição, dêem uma hipótese a este vídeo, já que é muito muito comprido (11 mins).
Vale muito a pena.
Este vídeo deixou-me sem palavras. Se estiverem com disposição, dêem uma hipótese a este vídeo, já que é muito muito comprido (11 mins).
Vale muito a pena.
faz lembrar:
dez,
dimensões,
explosão cerebral,
universo
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Um jovem ao acaso
Boa noite.
Tenho muito a dizer. Há uma coisa que me tem abafado os pensamentos nos últimos dias ou até semanas, e penso que está na altura de a passar para palavras concretas.
Pois bem, venho aqui revoltar-me contra um jovem ao acaso.
E quem é este jovem ao acaso? Ora, não passa de um jovem português, residente na zona Norte do País (ou seja, na minha zona), de idade não inferior a 13 anos e não superior a, digamos, 26 anos. Chamemos-lhe Bruno.
E porque é que eu estou revoltado com o Bruno?
Eu revolto-me porque existe uma probabilidade de 85% de:
1. O Bruno ter um cabelo domado por um cabeleireiro-estilista;
2. O Bruno gostar de casacos de couro pretos, juntamente com cachecóis complexos;
3. O género de música preferida do Bruno ser o house/electro-house;
4. O Bruno gostar de ir sair a uma qualquer discoteca com o intuito de "ver gajas", ou se tiver alguma sorte, "sacar uma gaja";
5. O objectivo máximo do Bruno ser descobrir a discoteca onde as bebidas são mais baratas, para que o resultado final da sua noite seja o mesmo, só que mais barato;
6. O Bruno achar que quem tem razão numa discussão sobre futebol (mesmo com argumentos sólidos e racionais) é uma pessoa com inteligência acima da média.
É isto que me irrita. Há uns dias, estava no cinema, e reparei que a banda sonora das publicidades no cinema se resume a umas quantas músicas remisturadas da Mariah Carey, e músicas de 4 da manhã no Via Rápida.
Mas como é que isto chegou aqui?!
Ainda não sou capaz de esboçar uma explicação para esta contaminação da cultura mainstream.
Para onde foram os outros tempos? Tempos de sair a uma discoteca e ouvir Rolling Stones no lugar de Roger Sanchez? Supertramp em vez de Samim? Fleetwood Mac? U2? O grandioso discosound de Boney M? Isso sim, criava ambiente em todo o lado. Seja na discoteca, no cinema, ou até mesmo no consultório do dentista.
E não digo que não haja boa música nos dias que correm (até porque se não houvesse, o Magalhães Lemos já teria uma nova vaga preenchida), mas a música que prevalece, a música que sobrevive ao passar dos meses/anos, é a música que vende. E a música que vende é a música que o Bruno quer comprar. Basta o Bruno recusar a música, e tudo poderá voltar ao sistema "é bom - vende; é mau - não vende".
Sei, porém, que não há nada que eu possa fazer para parar esta onda de anti-música. Nada posso contra a muralha dos cabelos estilizados minuciosamente com gel. Resta-me aceitar o que me rodeia e contentar-me com o facto de ter conseguido manter [algum] juízo no meio de todo este caos cultural.
Bruno, quando te aperceberes do que estás a desperdiçar já poderá será tarde demais!
If the King loves music, it is well with the land.
Mencius
Tenho muito a dizer. Há uma coisa que me tem abafado os pensamentos nos últimos dias ou até semanas, e penso que está na altura de a passar para palavras concretas.
Pois bem, venho aqui revoltar-me contra um jovem ao acaso.
E quem é este jovem ao acaso? Ora, não passa de um jovem português, residente na zona Norte do País (ou seja, na minha zona), de idade não inferior a 13 anos e não superior a, digamos, 26 anos. Chamemos-lhe Bruno.
E porque é que eu estou revoltado com o Bruno?
Eu revolto-me porque existe uma probabilidade de 85% de:
1. O Bruno ter um cabelo domado por um cabeleireiro-estilista;
2. O Bruno gostar de casacos de couro pretos, juntamente com cachecóis complexos;
3. O género de música preferida do Bruno ser o house/electro-house;
4. O Bruno gostar de ir sair a uma qualquer discoteca com o intuito de "ver gajas", ou se tiver alguma sorte, "sacar uma gaja";
5. O objectivo máximo do Bruno ser descobrir a discoteca onde as bebidas são mais baratas, para que o resultado final da sua noite seja o mesmo, só que mais barato;
6. O Bruno achar que quem tem razão numa discussão sobre futebol (mesmo com argumentos sólidos e racionais) é uma pessoa com inteligência acima da média.
É isto que me irrita. Há uns dias, estava no cinema, e reparei que a banda sonora das publicidades no cinema se resume a umas quantas músicas remisturadas da Mariah Carey, e músicas de 4 da manhã no Via Rápida.
Mas como é que isto chegou aqui?!
Ainda não sou capaz de esboçar uma explicação para esta contaminação da cultura mainstream.
Para onde foram os outros tempos? Tempos de sair a uma discoteca e ouvir Rolling Stones no lugar de Roger Sanchez? Supertramp em vez de Samim? Fleetwood Mac? U2? O grandioso discosound de Boney M? Isso sim, criava ambiente em todo o lado. Seja na discoteca, no cinema, ou até mesmo no consultório do dentista.
E não digo que não haja boa música nos dias que correm (até porque se não houvesse, o Magalhães Lemos já teria uma nova vaga preenchida), mas a música que prevalece, a música que sobrevive ao passar dos meses/anos, é a música que vende. E a música que vende é a música que o Bruno quer comprar. Basta o Bruno recusar a música, e tudo poderá voltar ao sistema "é bom - vende; é mau - não vende".
Sei, porém, que não há nada que eu possa fazer para parar esta onda de anti-música. Nada posso contra a muralha dos cabelos estilizados minuciosamente com gel. Resta-me aceitar o que me rodeia e contentar-me com o facto de ter conseguido manter [algum] juízo no meio de todo este caos cultural.
Bruno, quando te aperceberes do que estás a desperdiçar já poderá será tarde demais!
If the King loves music, it is well with the land.
Mencius
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Envolver e revolver
Tenho ouvido que por todo o mundo grupos independentes de cidadãos se reúnem mais ou menos organizadamente no intuito de mostrarem o seu desagrado contrar a situção em Gaza, dos mais pequenos aos maiores paises por toda a Europa se têm verificado estas manifestações. E eu pergunto, e em Portugal?
Na Grécia recentemente o assassínio de um jovem de 16 anos por parte das forças policiais gerou nas camadas mais novas da população uma revolta que projectou a Grécia para os tablóides internacionais e colocou o pais em estado de sitio com a permanecia do primeiro-ministro grego no seu cargo a ser posta em causa. Em Portugal se o mesmo sucedesse teríamos sequer um décimo da confusão que foi gerada na Grécia? Bem a resposta não está longe, ainda à dias um jovem de 15 anos foi baleado pela PSP e o único evento relacionado com a sua morte a ocorrer foi infelizmente o seu funeral. Mas voltando à Grécia, esta revolta, obviamente alimentada por um sentimento crescente de descontentamento com o governo, manteve durante várias semanas o país numa situação delicada com várias tomadas de posição e conflitos a sucederem-se, o mais interessante, e o que me importa focar, é que o motor de todo este movimento não foram partido políticos ou instituições com representação na sociedade mas na maior parte jovens desde os 15 aos 20 e muitos anos.
Obviamente que a minha amostra em Portugal é limitada e pode não ser representativa de nada, mas arrisco me a afirmar, que as pessoas que conheço dispostas a agir pelo que acreditam e defendem davam para contar pelos dedos, muito porque na maior parte não acreditam nem defendem é nada. Mas o que será que este país tem para ser tão complacente e passivo? Podíamos alegar que as camadas mais velhas da população por terem a recordação ainda recente da ditadura isso lhes tivessem incutido uma postura de subserviência. Mas então e os mais novos, que nunca viveram em nenhum regime totalitário e sempre tiveram a relativa liberdade de pensarem e defenderem o que quisessem, que doença ou desculpa têm estes para contrariarem a irreverencia tantas vezes considerada uma das características dos adolescente e pré-adultos. Mais grave, falando pelo que observo, uma parte significativa destas camadas jovens consideram que a revolta e uma tentativa de mostrarmos o nosso descontentamento ou tão simplesmente de nos envolvermos, é para além de uma utopia, pois "nunca vamos mudar nada", algo esquisito e não normal para a sua condição, não fazem sequer parte das suas conversas diárias temas da actualidade mundial e local. Bem, eu não penso, nem peço que venham para a rua desembainhando as espadas e gritando estericamente num ímpeto para derrubar e matar quem se oponha, mas apenas me surpreende, e desilude, a falta de interesse e a completa apatia. Cabe-nos a nós que vamos andar por cá pelo menos nos próximos 60 anitos prepararmos o terreno que vamos andar a pisar, considero a necessidade de nos envolvermos mais do que um direito, talvez um dever. Devemos ter interesses paralelos, a vida não deve ser virada para esta participação social, todo o fundamentalismo é na minha opinião irracional, mas temos que compreender que tudo o resto que fazemos passa de algum modo pela politica, pelas ideias e pelas decisões de órgãos eleitos directa e indirectamente por todos nós, para todos nós.
Por isso apelo não com desdém mas como alguém que estende um braço, envolvam-se!
"Never be bullied into silence. Never allow yourself to be made a victim. Accept no one's definition of your life; define yourself."
Harvey Fierstein
Na Grécia recentemente o assassínio de um jovem de 16 anos por parte das forças policiais gerou nas camadas mais novas da população uma revolta que projectou a Grécia para os tablóides internacionais e colocou o pais em estado de sitio com a permanecia do primeiro-ministro grego no seu cargo a ser posta em causa. Em Portugal se o mesmo sucedesse teríamos sequer um décimo da confusão que foi gerada na Grécia? Bem a resposta não está longe, ainda à dias um jovem de 15 anos foi baleado pela PSP e o único evento relacionado com a sua morte a ocorrer foi infelizmente o seu funeral. Mas voltando à Grécia, esta revolta, obviamente alimentada por um sentimento crescente de descontentamento com o governo, manteve durante várias semanas o país numa situação delicada com várias tomadas de posição e conflitos a sucederem-se, o mais interessante, e o que me importa focar, é que o motor de todo este movimento não foram partido políticos ou instituições com representação na sociedade mas na maior parte jovens desde os 15 aos 20 e muitos anos.
Obviamente que a minha amostra em Portugal é limitada e pode não ser representativa de nada, mas arrisco me a afirmar, que as pessoas que conheço dispostas a agir pelo que acreditam e defendem davam para contar pelos dedos, muito porque na maior parte não acreditam nem defendem é nada. Mas o que será que este país tem para ser tão complacente e passivo? Podíamos alegar que as camadas mais velhas da população por terem a recordação ainda recente da ditadura isso lhes tivessem incutido uma postura de subserviência. Mas então e os mais novos, que nunca viveram em nenhum regime totalitário e sempre tiveram a relativa liberdade de pensarem e defenderem o que quisessem, que doença ou desculpa têm estes para contrariarem a irreverencia tantas vezes considerada uma das características dos adolescente e pré-adultos. Mais grave, falando pelo que observo, uma parte significativa destas camadas jovens consideram que a revolta e uma tentativa de mostrarmos o nosso descontentamento ou tão simplesmente de nos envolvermos, é para além de uma utopia, pois "nunca vamos mudar nada", algo esquisito e não normal para a sua condição, não fazem sequer parte das suas conversas diárias temas da actualidade mundial e local. Bem, eu não penso, nem peço que venham para a rua desembainhando as espadas e gritando estericamente num ímpeto para derrubar e matar quem se oponha, mas apenas me surpreende, e desilude, a falta de interesse e a completa apatia. Cabe-nos a nós que vamos andar por cá pelo menos nos próximos 60 anitos prepararmos o terreno que vamos andar a pisar, considero a necessidade de nos envolvermos mais do que um direito, talvez um dever. Devemos ter interesses paralelos, a vida não deve ser virada para esta participação social, todo o fundamentalismo é na minha opinião irracional, mas temos que compreender que tudo o resto que fazemos passa de algum modo pela politica, pelas ideias e pelas decisões de órgãos eleitos directa e indirectamente por todos nós, para todos nós.
Por isso apelo não com desdém mas como alguém que estende um braço, envolvam-se!
"Never be bullied into silence. Never allow yourself to be made a victim. Accept no one's definition of your life; define yourself."
Harvey Fierstein
Assinar:
Comentários (Atom)