"...se um homem devesse viver a sua vida em toda a plenitude, dar forma a todos os sentimentos, expressão a todos os pensamentos, realidade a todos os sonhos, creio que o mundo ganharia um novo impulso de alegria que nos levaria a esquecer todos os males de mediavelismo e a regressa ao ideal helénico. Mas o mais ousado de todos nós teme-se a si mesmo. O selvagem mutilado que nós somos sobrevive trágicamente na auto-rejeição que frustra as nossas vidas. Somos punidos pelas nossas regeições. Todo o impulso que esforçadamente asfixiamos fica a fermentar no nosso espírito, e envenena-nos. o Corpo peca uma vez, e mais não precisa. pois a acção é um processo de purificação. E nada fica, a não ser a lembrança de um prazer ou o luxo de de um pesar. Ceder a uma tentação é a única maneira de nos libertarmos dela. Se lhe resistirmos, a alma anlanguesce, adoece com as saudades de tudo o que a si mesma proíbe, e de desejo por tudo o que as suas leis monstruosas converteram em monstruosidade e ilegalidade. Diz-se que as grandes realizações deste mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e só aí, que ocorrem os grandes erros do mundo. E até o senhor, Mr. Gray. que se encontra na flor da juventude, viveu paixões que o atemorizam, teve pensamentos que o apavoraram e, quer acordado quer a dormir, teve sonhos tais, que a sua simples lembrança o fariam corar de vergonha...
-Não continue, por favor! - balbuciou Dorian Gray..."
In "O retrato de Dorian Gray" - Oscar Wilde
Pensamento do dia:
Fortunately analysis is not the only way to resolve inner conflicts. Life itself still remains a very effective therapist.
Karen Horney
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