Não, não é uma ideia minha, não estou a tentar ter piada.
Imaginem o meu espanto quando no meu percurso diário pelos títulos da actualidade me deparei com a noticia cujo título é nada mais nada menos do que :
"Ministro Alberto Costa garante que venda de canivetes nas cadeias está a ser tratada «com conhecimento e inteligência» ", ao que se acrescenta, "Na edição do passado domingo, o jornal Diário de Notícias revelou que estão a ser vendidos na cantina do Estabelecimento Prisional de Coimbra pequenos canivetes, com quatro centímetros de lâmina e dez de comprimento, incluindo o cabo, para que os reclusos possam, por exemplo, cortar alimentos."
Bom, eu não sei por onde começar porque neste momento uma torrente de ideias fervilham-me na cabeça, vender canivetes em prisões?? Mas será que se perdeu todo o bom senso?
Vamos lá analisar isto por partes, primeiro o vender. Segundo a noticia esta venda teria a intenção de permitir aos reclusos cortar os alimentos, então como é que eles comiam antes? de colher? e será que também a teriam que comprar?
O surreal disto ultrapassa até o que já estamos sucessivamente habituados a observar por estes lados, não concordo que os prisioneiros tenham uma vida de luxos, apesar de o sistema de "reinserção prisional" ser bastante discutível, a verdade é que eles estão a ser castigados portanto não devem padecer de grandes mordomias, mas darem-lhes talheres para se alimentarem não pode ser considerado um luxo. Porem os prisioneiros a pagar pelos seus talheres parece-me desnecessário e até absurdo, e se o argumento é auto-financiar o sistema prisional podem optar mais facilmente por converterem o tempo que os reclusos passam encarcerados, que a meu ver não contribui propriamente para a sanidade mental de ninguém, por trabalho comunitário remunerado simbolicamente, que sei que existe noutros países e que possivelmente já existirá em alguns estabelecimentos prisionais em Portugal.
Passemos então ao mais gritante. Introduzir canivetes num ambiente prisional, para as mãos dos reclusos. Bom neste ponto penso que o presado leitor dispensará muitos argumentos, mas cá vai. Não que eu considere que qualquer pessoa presa seja naturalmente agressiva, mas existe sem duvida um ambiente de tensão dentro de uma prisão, todos sabemos que existem abusos e casos de violência, sabemos até que uma escova de dentes e uma lâmina de barbear dentro da prisão podem-se tornar numa arma letal, pôr canivetes nas mãos dos reclusos é não só perigoso para os guardas que os têm que controlar como para eles mesmos, com uma arma tão facilmente na mão isto é quase um incentivo ao crime.
A razão pela qual decidi escrever sobre este assunto prende-se com o paradigmático que este caso é acerca do modus operandi dos responsáveis estatais e pela sua profunda incompetência e total ignorância sobre as áreas pelas quais são responsáveis. A única maneira que eu imagino isto poder acontecer é a distribuição de estes cargos ser feita do género das distribuições dos jogos de futebol para o campeonato ou algo semelhante, quase os imagino reunidos, radiantes, um a um a retirar o papelinho da tombola, e a gritarem "Oh Zé já viste, saiu-me as prisões!", só assim é possível justificar os erros crassos que são cometidos todos os dias pelos órgãos de gestão e decisão que sucessivamente nos imputam prejuízos tanto financeiros como sociais. Cada macaco no seu galho, eu já nem me importo que os escolham pelo factor cunha mas ao menos que saibam o que estão a fazer e que se preocupem minimamente em ser competentes. Vá lá, pode ser?
“Devemos admirar os que levam as coisas a sério e desprezar os que se levam a si próprios a sério.”
Miguel Torga
* http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1122800 (Notícia completa)
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