Boa noite.
Tenho muito a dizer. Há uma coisa que me tem abafado os pensamentos nos últimos dias ou até semanas, e penso que está na altura de a passar para palavras concretas.
Pois bem, venho aqui revoltar-me contra um jovem ao acaso.
E quem é este jovem ao acaso? Ora, não passa de um jovem português, residente na zona Norte do País (ou seja, na minha zona), de idade não inferior a 13 anos e não superior a, digamos, 26 anos. Chamemos-lhe Bruno.
E porque é que eu estou revoltado com o Bruno?
Eu revolto-me porque existe uma probabilidade de 85% de:
1. O Bruno ter um cabelo domado por um cabeleireiro-estilista;
2. O Bruno gostar de casacos de couro pretos, juntamente com cachecóis complexos;
3. O género de música preferida do Bruno ser o house/electro-house;
4. O Bruno gostar de ir sair a uma qualquer discoteca com o intuito de "ver gajas", ou se tiver alguma sorte, "sacar uma gaja";
5. O objectivo máximo do Bruno ser descobrir a discoteca onde as bebidas são mais baratas, para que o resultado final da sua noite seja o mesmo, só que mais barato;
6. O Bruno achar que quem tem razão numa discussão sobre futebol (mesmo com argumentos sólidos e racionais) é uma pessoa com inteligência acima da média.
É isto que me irrita. Há uns dias, estava no cinema, e reparei que a banda sonora das publicidades no cinema se resume a umas quantas músicas remisturadas da Mariah Carey, e músicas de 4 da manhã no Via Rápida.
Mas como é que isto chegou aqui?!
Ainda não sou capaz de esboçar uma explicação para esta contaminação da cultura mainstream.
Para onde foram os outros tempos? Tempos de sair a uma discoteca e ouvir Rolling Stones no lugar de Roger Sanchez? Supertramp em vez de Samim? Fleetwood Mac? U2? O grandioso discosound de Boney M? Isso sim, criava ambiente em todo o lado. Seja na discoteca, no cinema, ou até mesmo no consultório do dentista.
E não digo que não haja boa música nos dias que correm (até porque se não houvesse, o Magalhães Lemos já teria uma nova vaga preenchida), mas a música que prevalece, a música que sobrevive ao passar dos meses/anos, é a música que vende. E a música que vende é a música que o Bruno quer comprar. Basta o Bruno recusar a música, e tudo poderá voltar ao sistema "é bom - vende; é mau - não vende".
Sei, porém, que não há nada que eu possa fazer para parar esta onda de anti-música. Nada posso contra a muralha dos cabelos estilizados minuciosamente com gel. Resta-me aceitar o que me rodeia e contentar-me com o facto de ter conseguido manter [algum] juízo no meio de todo este caos cultural.
Bruno, quando te aperceberes do que estás a desperdiçar já poderá será tarde demais!
If the King loves music, it is well with the land.
Mencius
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