Tenho ouvido que por todo o mundo grupos independentes de cidadãos se reúnem mais ou menos organizadamente no intuito de mostrarem o seu desagrado contrar a situção em Gaza, dos mais pequenos aos maiores paises por toda a Europa se têm verificado estas manifestações. E eu pergunto, e em Portugal?
Na Grécia recentemente o assassínio de um jovem de 16 anos por parte das forças policiais gerou nas camadas mais novas da população uma revolta que projectou a Grécia para os tablóides internacionais e colocou o pais em estado de sitio com a permanecia do primeiro-ministro grego no seu cargo a ser posta em causa. Em Portugal se o mesmo sucedesse teríamos sequer um décimo da confusão que foi gerada na Grécia? Bem a resposta não está longe, ainda à dias um jovem de 15 anos foi baleado pela PSP e o único evento relacionado com a sua morte a ocorrer foi infelizmente o seu funeral. Mas voltando à Grécia, esta revolta, obviamente alimentada por um sentimento crescente de descontentamento com o governo, manteve durante várias semanas o país numa situação delicada com várias tomadas de posição e conflitos a sucederem-se, o mais interessante, e o que me importa focar, é que o motor de todo este movimento não foram partido políticos ou instituições com representação na sociedade mas na maior parte jovens desde os 15 aos 20 e muitos anos.
Obviamente que a minha amostra em Portugal é limitada e pode não ser representativa de nada, mas arrisco me a afirmar, que as pessoas que conheço dispostas a agir pelo que acreditam e defendem davam para contar pelos dedos, muito porque na maior parte não acreditam nem defendem é nada. Mas o que será que este país tem para ser tão complacente e passivo? Podíamos alegar que as camadas mais velhas da população por terem a recordação ainda recente da ditadura isso lhes tivessem incutido uma postura de subserviência. Mas então e os mais novos, que nunca viveram em nenhum regime totalitário e sempre tiveram a relativa liberdade de pensarem e defenderem o que quisessem, que doença ou desculpa têm estes para contrariarem a irreverencia tantas vezes considerada uma das características dos adolescente e pré-adultos. Mais grave, falando pelo que observo, uma parte significativa destas camadas jovens consideram que a revolta e uma tentativa de mostrarmos o nosso descontentamento ou tão simplesmente de nos envolvermos, é para além de uma utopia, pois "nunca vamos mudar nada", algo esquisito e não normal para a sua condição, não fazem sequer parte das suas conversas diárias temas da actualidade mundial e local. Bem, eu não penso, nem peço que venham para a rua desembainhando as espadas e gritando estericamente num ímpeto para derrubar e matar quem se oponha, mas apenas me surpreende, e desilude, a falta de interesse e a completa apatia. Cabe-nos a nós que vamos andar por cá pelo menos nos próximos 60 anitos prepararmos o terreno que vamos andar a pisar, considero a necessidade de nos envolvermos mais do que um direito, talvez um dever. Devemos ter interesses paralelos, a vida não deve ser virada para esta participação social, todo o fundamentalismo é na minha opinião irracional, mas temos que compreender que tudo o resto que fazemos passa de algum modo pela politica, pelas ideias e pelas decisões de órgãos eleitos directa e indirectamente por todos nós, para todos nós.
Por isso apelo não com desdém mas como alguém que estende um braço, envolvam-se!
"Never be bullied into silence. Never allow yourself to be made a victim. Accept no one's definition of your life; define yourself."
Harvey Fierstein
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