Hoje venho aqui fazer uma pequena reflexão sobre o estado das coisas.
Há uns dias atrás, houve um apagão na minha cidade. Durou apenas alguns minutos. Nesses minutos, tive uma sensação estranhíssima de acordar repentinamente, como se de repente me desligassem a PlayStation depois de 24 horas seguidas a jogar. De repente, estávamos todos no escuro, indefesos.
Imediatamente comecei a pensar em coisas mais rebuscadas, como a condição humana, o regime em que vivemos, etc.. Tudo isto no escuro. Alguns minutos depois, a electricidade voltou, a televisão ligou-se, e o ruído constante reinstalou-se. O ruído que dificulta a reflexão séria sobre estas coisas.
E aí percebi. A maior parte das coisas que vivemos não são relevantes. Em alguma altura na nossa existência, criámos uma espécie de filme interminável, em que todos têm um papel, que vão desempenhando melhor ou pior ao longo dos tempos. O apagão foi como o intervalo de tempo que existe entre substituir o rolo A pelo rolo B de filme. O intervalo em que pude aperceber-me de onde estava. Os programas de televisão, os estudos, o trabalho, o governo, tudo é de relevância infinitesimal.
Mas quem é que nos deixou chegar a este ponto? Normalmente há quem culpe o "sistema" ou os governos, ou as empresas. Mas a minha opinião é um pouco diferente.
Eu culpo o dinheiro.
O mundo, a Humanidade, e a Economia Mundial nunca teria chegado ao ponto a que chegou se não fosse este desejo mórbido de reunir o máximo de dinheiro possível antes de morrer, como se quem atingisse um certo valor de poupanças pudesse sair disparado para o espaço e atingir a iluminação máxima como recompensa.
O dinheiro. Não passa de uma avaliação subjectiva de um objecto. Avaliação essa que está sujeita a constantes mudanças, e portanto, trata-se de uma base para um sistema bastante instável. Um produtor de ovos pode dizer que um ovo vale 5, mas mais tarde, considerando que o produtor de ração para galinha achou que o saco de ração deveria ser mais caro do que anteriormente, poderá ser obrigado a subir o preço. Imagine-se esta situação em concreto ampliada para a escala global. O produtor de cereais aumenta o preço, o distribuidor de ração idem, o produtor de ovos idem, o distribuidor de ovos idem, o supermercado idem. Um ovo que vale 5 junto do produtor passa a valer 75 junto do comprador. E onde pára a especulação? Quem controla os preços?
Julgo que o capitalismo, nos seus primórdios, terá sido uma ideia razoável. Digo razoável porque penso que quem a desenvolveu provavelmente não conseguiu prever o resultado último de um sistema monetário deste género.
Estamos então aparafusados a um gigantesco cenário, o Mundo, e temos o nosso papel a desempenhar, seja como pai, filho, cidadão, namorado, marido, amigo, seja o que for necessário. Ao mesmo tempo, temos de lidar com um sistema altamente instável, o capitalismo.
Parece-me que por vezes (em momentos de maior instabilidade de capital ou uma parte do guião um pouco mais confusa) a pressão exercida poderá ser demasiada.
Isto leva a uma tristeza e apatia generalizadas. Falo pelo que vejo nas ruas, nos cinemas, nas discotecas, nos cafés, nos supermercados. As pessoas estão abatidas. A pressão é exagerada! Não há felicidade quando as pessoas se cumprimentam, apenas um levantar de sobrancelhas acompanhado da expressão "cá se vai andando... a vida está difícil!". Toda a gente tem a mesma atitude de distanciamento, não por mau carácter, mas por pressão em demasia.
O capitalismo criou junto das pessoas a ideia de que é possível para um indivíduo atingir a felicidade, desde que seja gasta a quantidade certa de dinheiro. Isto não pode estar mais longe da realidade, já que quanto mais dinheiro se gasta, mais difícil se torna a satisfação de uma pessoa. É como uma pessoa que tenta efusivamente sair de um quarto embatendo cada vez com mais força na porta, sem nunca conseguir sair nem nunca conseguir olhar para trás e ver que a janela está aberta.
Penso que está na altura de começar a pensar seriamente (e não me digam que é possível porque eu vejo o Discovery Channel e sei do que a Humanidade é capaz) em mudar de sistema, porque o capitalismo não tem feito nada senão dar provas da sua inutilidade.
O capitalismo falhou.
Think outside the box.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
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