segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Memória

Discorrem-se páginas com novas ideias e escrituras, mas o quanto não bastava se pelo menos não esquecesse-mos as que já temos e tivemos. Que bom um comprimido para a memória que prendesse tudo à mente o quanto observamos e vivemos, para o podermos tocar, ver e lembrar quando e sempre nos parece-se bem. E que nunca a memória nos traísse pelos seu cantos escuros e escurecidos por outras memórias, que, por serem mais brilhantes ou apenas recentes conseguem empurrar e escurecer as outras que já há tanto e tantas vezes mereceram o seu lugar. Que força esta! Porque enquanto o rio tropeça pela montanha também a memória tropeça e desliza colina abaixo misturando-se com outras águas de outros reinos. E, quando finalmente encontram todas o mar anónimo, já poucos se lembram que águas salgadas já foram doces e que estas memórias escuras já foram límpidas. Surge então alguém que afirma - esta água sempre cá esteve e sempre foi assim - mas felizmente ainda há uns poucos que se lembram que estas memórias salgadas já foram doces e que este mar veio de muitos rios.

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